Olá mundo. Estamos aqui no meio da música e do amor e do pulsares vibratórios das colunas e dos headphones e é importante referir que está sol, e que a melhor coisa que se faz ao sol é dançar. Dançar.
Não liguem ao single novo dos Justice, nem ao album novo dos MSTRKRFT. Não prestam.
A única coisa que interessa este mês é Nicolas Jaar e dançar ao sol. Tenham um bom dia.
Porque esta pessoa às vezes gosta de fechar os olhos e imaginar que a música dos phones está a tocar muito alto no ar para poder imaginar quantas pessoas começariam a gritar e a fugir aterrorizadas e quantas começariam a dançar.
É assim uma espécie de sensação que te obriga a entornares a cabeça para fora. Fechas os olhos e, de repente, aquela coisa doce - um elástico estranho e espacial esticado meio côr-de-rosa - faz sentido como nunca antes podia ter feito.
E tu, de repente, também.
É Ratatat.
E dia 10 Dezembro, na Casa da Música, vão fazer-me desejar que não estivesse a viver na Alemanha.
[é segredo mas acredito profundamente que esta música é a melhor descrição alguma vez feita dessa coisa suja e nojenta e feia chamada Amor. É uma ideia que me segue já há alguns anos e sempre pensei que fosse passando, mas não. A música está certa. Acredito mesmo que só me vou deixar apaixonar a sério-seriozinho no dia em que encontrar alguém que goste tanto tanto desta música quanto eu. é segredo.]
I have but one true friend
She sings to me
In my solitude
And i know her name
I tried to know her
In all her changes
And I don't know her place
And I dont see her face
When we come together then we forget ourselves
And just as night follows day
The beginning must become the end
And so we will start again
When we come together then we heat up the souls
And then we bake up the pie
And we lay old bones to rest
As birds we dream of the sky
It was then he heard his intuition say
We were all basically alone
And despite what all his studies had shown
That what's mistaken for closeness is just a case of mitosis
And why do some show no mercy while others are painfully shy?
Isto é para se ouvir baixinho, baixinho, baixinho. Tapado debaixo de qualquer coisa forte. Um corpo, um edredão, uma noite. Por aí. Assim ao de leve, como quem não quer a coisa.
Esta é a minha banda preferida de prog-rock. Ora que bem, não é?, um rótulo. Acho que esta também é a minha banda preferida no nome de albums. É infinitamente espectacular; senão vejamos:
How Strange, Innocence (2000)
Those Who Tell the Truth Shall Die, Those Who Tell the Truth Shall Live Forever (2001)
The Earth Is Not a Cold Dead Place (2003)
The Rescue (2005)
All of a Sudden I Miss Everyone (2007)
O "Those Who Tell The Truth..." é, sem sombra de dúvidas, o meu nome preferido de álbum de sempre. Dá para pegar e fazer tanta coisa, não é? Se alguma vez fundar uma religião, a reza mestra será alguma coisa nestas linhas. É também bonito pensar no nome da banda e em nuvens. São coisas boas. Boas.
Isto de se ser adolescente é uma parvoeira. Mas o importante aqui é a música. Ouvi.
Às vezes não há culpa que suporte a necessidade de se pedir desculpa.
An echo, a stain - Bjork
E perceber sobre o que é a música?; Isso sim é um desafio.
No songmeanings há quem fale de um encontro com a morte ou de uma violação, mas ao que parece a letra foi tirada aos bocadinhos de uma peça chamada Crave, da Sarah Kane e não dá para, felizmente, retirar um grande significado absoluto.
Na minha cabeça não há nada mais obviamente sexual do que um eco e uma nódoa. Mas eu sou uma pessoa fácil.
a Beth Dito enrolou uma toalha na cabeça várias vezes à lá pin-up meets senhora a sair do banho, cantou Whitney Houston e dedicou uma música aos gays - obrigado, Beth!;
o Devendra e a Florence podiam ser almas gémeas, tendo em conta que parecem ser pessoas tão docinhas e ingénuas; só dá vontade de abraça-los, é assustador;
o Tiga passou um remix de Fever Ray e só tocou 3 músicas dele: a Shoes, a Mind Dimension, a What You Need (e pronto, um sample minúsculo da You Gonna Want Me);
o vocalista dos Maccabees tem um brinco na orelha esquerda que é um coração branco pendurado - e acho isso giro;
o Boy 8-Bit passou o seu remix muito muito muito fabuloso da Drumming Song da Florence 20 minutos depois de ela actuar no palco ao lado;
a vocalista dos New Young Pony Club tem um rabo sexy, e consegue saltar muitas vezes muito alto em cima dos seus saltos altos;
os Bloody Beetroots tocaram 2 vezes a Warp e depois o Steve Aoki tocou-a outra vez logo a seguir;
os Bloody Beetroots são potentes e másculos e iam provocando o apocalipse; Mas "esqueceram-se" de usar os seus milhentos samples maravilhosos para grande tristeza minha (que não foi assim tão grande porque no meio de todo aquele moche e perdição uma pessoa até se esqueça de que está viva quanto mais pensar onde raio andam os samples da "Better DJ");
os Macacos no Chinês usaram um sample da Amália e deixaram-me maravilhado;
o baterista de La Roux e o vocalista de The XX têm moves parecidos na sua percursão toda artística;
os The XX sabem dar concertos como ninguém;
Não é um amor assim tão grande, mas as razões são bastante fortes.
Porque eu Gostava Mais de Ti Se Nós Fossemos Para a Cama Juntos, especialmente porque a voz fica distorcida para um super grave-sujo de vez em quando; e, na versão do remix do Rusko aparece um arranhado afiado muito agressivo e fofo de vez em quando.
Might Like You Better
Porque ela precisa muito de Amor, samplado MARAVILHOSAMENTE e repito, MARAVILHOSAMENTE, da Lady Santigold, com direito a Harpas e tudo.
A Love Song
Porque ela fez um cover de Vanity 6 (escrita originalmente pelo Prince), na música mais puta-deliciosa das meninas que dizem para eles irem fumar porque elas ainda vão demorar tempo a arranjar-se. E eu toda a vida esperei por um cover desta canção-tão-linda
Make-Up
Porque ela tem vergonha e ele "é tão grande", com as devidas paragens (You're-so-big-one-step-ahead.)
E porque as sirenes-qualquer-coisa-que-batem-na-parede desta música deixam-me alegremente melancólico. [Eu também tenho vergonha, Amanda. Shame on Me / Shame on me / I (too) believed it was So easy.]
Shame On Me
E que portanto, ela o vai deixar para trás, já que "using my legs, since my head ain't right / I'm leaving you behind". A música não é nada do outro mundo, mas esta frase deixa-me tão satisfeito.
Leaving You Behind
E porque, finalmente, no video da Might Like You Better ela está no meio de balões prateados e com maquilhagem preta. E eu também gostava de estar num vídeo assim. : c
E porque um círculo só é círculo quando volta ao ponto inicial, aqui vou terminar o never-ending-rambling sobre os Moderat.
1.
Eles são qualquer coisa de extraordinário.
2.
Eles, ao vivo, são qualquer coisa de muitíssimo extraordinário.
3.
É bonito que hajam coisas assim, que nos façam dar pulos e gritar mesmo quando as luzes não nos deixam ver onde aterramos e o volume das colunas anule qualquer tentativa de som das nossas, incansáveis e irritantes, cordas vocais.
É bonito que os sentimentos sejam oh-tão-complicados de se descrever e, no entanto, sempre tão fáceis de sentir nas notas destes 3, muy poderosos, artistas.
É bonito que haja quem consiga viver da arte e andar pelo mundo a fazê-lo abanar a cabeça e as ancas e os pulsos e os cotovelos e os pés e as outras partes todas, cada uma no seu ritmo desconjuntado e suado.
É bonito, sim senhor. É bonito. Que nos façam ver que o mundo é bonito. E antes do fim, resta só um "aaaaww" em conjunto. Vamos?
Ide e ouvi esta música, crianças amigas de mim. Ouvi! E vivei uma vida plena e muito feliz. (o tal som é agora) *
Modeselektor, para dançar de olhos bem fechados. (subtítulo à crítico de música - oh-la-la)
Modeselektor, ao contrário de Apparat, não faço ideia de como entraram na minha vida. Fazem remixes fabulosos, suponho que seja por aí que tenha começado a saber o nome deles.
In short, são a banda que faz as batidas mais dançáveis e os crescendos mais emotivos. Dá para suar e chorar ao mesmo tempo. :D
Eles são os gajos da explosão de energia criativa. Tudo neles tem impacto e furor. Oh yeah! É emoção sintetizada onde cada batida martela um sentimento qualquer. É brilhante. São dois alemães completamente parvos e geniais com um album chamado Hello Mom! e um segundo de nome Happy Birthday!.
Ouvi uma vez uma entrevista onde eles diziam que adoravam tocar em Berlim porque, parecia-lhes, as pessoas iam lá para dançar, em vez de ser para mostrarem os novos penteados e a roupa de marca nas discotecas. Eu penso exactamente o mesmo à cerca deles; que fazem música porque querem dançá-la/brincar com ela (esticar os braços e andar às voltinhas - ou como raio que se dança Modeselektor, ainda estou a tentar descobrir) e não por outra qualquer razão. Sinto que eles não precisam de razão. É bonito, não é? Boom!
E mais! Quando querem fazer coisas parvas, eles fazem-no (como refazer uma música dos Scooter no segundo album - "Hyper Hyper"; pôr gajos bêbedos a falar na "Kill Bill Vol. 4"; ou fazer uma música sobre Tetris) e depois, sem qualquer problema nenhum e com a maior das harmonias, aparecem no meio disto tudo momentos assim todos cheios de significado (como a "White Flash" com o Thom Yorke, a "The Wedding Toccata Theme", ou a (perfeita) Rapanthem, que tem o maravilhoso sample:
It's my belief that history is a wheel. 'Inconstancy is my very essence,' says the wheel. Rise up on my spokes if you like but don't complain when you're cast back down into the depths. Good time pass away, but then so do the bad. Mutability is our tragedy, but it's also our hope. The worst of time, like the best, are always passing away. )
É inacreditavelmente genial. E eu sou inacreditavelmente parcial.
Eles não precisam de tentar muito nem de recorrerem a letras para tornarem as musicas estupidamente divertidas ou assustadoramente negras. E a linha entre estes (e outros) pólos é cruzada tantas vezes e de forma tão imprevisível, que vale a pena investir e ficar na expectativa. Nunca é tão óbvio como parece.
E porque é que eu estou tão enamorado por estes dois palerminhas?
Só foi preciso ouvir a "Deboutonner" e a "Rapanthem" (e a.. e a.. e a..) uma vez para perceber que eram das coisas mais brilhantes e originais que tinham passado pelo meu iTunes. Foram directamente para o meu conjunto (altamente - ui - filtrado) de músicas que acho que qualquer pessoa devia ouvir antes de morrer.
E depois vêm os remixes. Oh, os remixes. E eu podia dizer tanta coisa (podia?) mas vou só relembrar que eles fizeram dois remixes da The Dull Flame Of Desire da Bjork; um chama-se "Remix for Girls" e o outro "Remix For Boys" e tem sido uma luta grande tentar perceber qual é o que gosto mais. (Vai variando, parece, mas ando mais inclinado - como aliás costumo estar - para a Boys). Ah ah. E assim termino com uma bela piadola! Oh.
Links de coisa bonitas já a seguir.
Deboutonner
Rapanthem
The First Rebirth (desafio qualquer pessoa a ficar parado depois da música rebentar aos 2 e meio)
Bjork - The Dull Flame Of Desire (Modeselektor's Remix for Girls)
Bjork - The Dull Flame Of Desire (Modeselektor's Remix for Boys)
Tudo começou numa revista com sugestões de melhores albuns do ano.
Houve um que me despertou o interesse mais do que os outros, "que era suave e forte; que dava para dançar mas não dava". Chamava-se "Orquestra Of Bubbles", por uns tais Ellen Allien & Apparat. Investiguei.
Fiquei confuso, apaixonado. Aquilo era estranhamente fenomenal.
Descobri que ela fazia a parte que nos obrigava a mexer as ancas e ele a parte que nos obrigava a levantar os braços e fechar os olhos. Adorei-os aos dois.
Fui atrás dele, o Apparat, de aparatus, descobri.
Tropecei no album "TTTrial and Eror" que me deixou absolutamente aparvalhado. Aquela coisa chamava-se Glitch, o género musical.
Música salpicada de sintetizadores que criavam paisagens absurdas. Lembrava-me sempre chuva em cima do mar; Não deixava de ser calmo, mas ao mesmo tempo tão movimentado e fascinante. Por aí. Era fascinante.
Houve no início uma música que me despertou o interesse mais do que as outras, a Pressure. Misturava sons orgânicos no meio de toda aquela confusão. ERA LINDA!
Depois descobri o "Duplex", que está no meu top-qualquer-coisa de melhores álbuns de todo o sempre. É um álbum tão estupidamente brilhante. É impossível não ouvir aquilo (e a música toda dele, em geral) e começar a filosofar sobre a nossa própria felicidade e infelicidade. É assustadoramente-compulsivamente introspectivo. Assim meio acalmante, meio inquietante. Vale a pena. Mesmo.
E pronto. Todos os dias se aprende qualquer coisa nova. É fantástico. Adoro o Apparat.
(Ouçam as músicas todas com a qualidade no máximo, aqui faz diferença. E headphones, se tiverem. )
Granular Bastard (do Duplex)
Edison (do Orquestra of Bubbles, com a Ellen Allien)
E porque este blog é azul, gostaria de partilhar convosco o facto de Lisboa (no Santiago Alquimista) ter a majestosa oportunidade de alojar os concertos de Health e de God Is An Astronaut na próxima semana.
Portanto, se têm amor a esta coisa dos trálálás electróntrónicos, espaciais-confusos e melodramáticó-raivosos; ouçam:
Os nomes linkam para músicas respectivamente excepcionais.
Claro está, tudo isto é amor eterno. Mas não tão eterno como os Modeselektor e o Apparat (a.k.a. Moderat) que daqui a 10 dias me vão fazer esquecer que (a) existem outras bandas no mundo e (b) tenho um blog azul.
Eu posso ser fácil, mas isso não faz de mim uma prostituta barata; até porque, mais ou menos barata, uma prostituta teria dinheiro para ir a todos estes concertos.